quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Dizem-nos cada treta...
O mundo mostra-nos todos os dias o que precisamos de fazer para ser felizes.. Mostra-nos que tudo tem um valor e pode ser comprado… Que a nossa felicidade só depende do esforço que façamos para o comprar… se queremos uma casa, um bom carro, um leitor mp3 de 120 Gb, temos que trabalhar bastante para o conseguir… dizem-nos que seremos felizes com um emprego que amamos, pois ganharemos dinheiro suficiente para o que quisermos fazer e comprar… dizem-nos que se não tivermos dinheiro, nunca poderemos ter uma casa, um sistema hi-fi, televisão por cabo, Internet, gás canalizado, um sofá de pele confortável, uma máquina de lavar loiça, viagens pelo mundo… dizem-nos que o emprego que amamos é o que nos permitir trabalhar pouco e ganhar muito… dizem-nos que temos que ser ambiciosos e lutar pela vida, para no final sermos e termos mais… dizem-nos que as pessoas mais felizes são as que trabalham em sítios confortáveis, onde não cheira mal, onde não transpiram, onde não se calejam, onde há ar condicionado, onde não aturam merdas, onde mandam… Dizem-nos cada treta….
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Um bom modo de vida..
Viver de pequenos prazeres baseados em buscas perdidas..
(conversa entre mim e o Manel à espera de um autocarro no Porto há coisa de 4 anos atrás)
(conversa entre mim e o Manel à espera de um autocarro no Porto há coisa de 4 anos atrás)
terça-feira, 19 de maio de 2009
É tão fácil enriquecer num país de otários...
O Sr. Primeiro Ministro de Otarioland aguardava a chegada do Dr. Júlio Flipont, que aparentemente se atrasara. Não haveria grande problema, uma vez que esta reunião se poderia revelar de uma natureza bastante benéfica. O Sr. Primeiro Ministro não é ingrato, e para além disso, sabe que com estas coisas não se brinca. Em suma, não estava para se chatear.
O local era secreto. Não é do interesse do Sr. Primeiro Ministro que se saiba destes assuntos. Uma coisa é o que o país ganha com estas vendas; outra coisa bem diferente é o que ele ganha. Mais uns minutos e o Sr. Doutor, que nunca foi mesmo doutor, mas que tem dinheiro suficiente para que assim o tratem, chegaria para discutir a questão da compra.
O Sr. Primeiro Ministro acende um cigarro, reflectindo na integridade dos seus actos. O termo "corrupção" vem-lhe à cabeça, deixando algum peso no estômago e uma pequena gota de suor a escorrer levemente pela testa. Limpa-a com um lenço e pensa: "Será que não me vou foder à conta destes esquemas? Hmmm, em princípio não.. ninguém há-de dar conta. Afinal de contas, isto parece ser o futuro da humanidade.. a privatização". Num momento de reflexão, acaba por pensar que não se voltará a candidatar. A vergonha de usar 4 anos de mandato para o seu enriquecimento pessoal e o pouco que contribuiu para o bem-estar geral lembram-no de que a decisão mais justa será oferecer o lugar ao próximo. É preciso que haja equilíbrio no mundo, caso contrário a ganância perdura.
A campainha toca. O Sr. Primeiro Ministro exalta-se, e nervoso desloca-se à porta para a abrir. Hoje não há secretária que faça isso por ele. Abre a porta, e cumprimenta o Sr. Dr. de uma forma excessivamente humilde e cordial para um Primeiro Ministro.
O Sr. Dr. Flipont, de origem Francesa e descendente de uma família de negócios abastada, entra com uma postura superior à do Sr. Primeiro Ministro. Não apenas hoje, mas todos os dias, essa postura é igual. Reflecte a de um homem pequeno, com um pénis minúsculo, mas bastante adaptado nesta sociedade urbana e anti-natura. Apesar da atraente e inteligente esposa, os filhos são burros, têm os dentes tortos e um dia serão carecas. É o que acontece quando o dinheiro entra no processo evolutivo.
O Sr. Primeiro Ministro convida o Sr. Dr. Flipont a sentar-se e oferece-lhe uma bebida. Uma bela zurrapa de €150 por garrafa é despejada sem respeito em dois copos, duas pedras cúbicas e transparentes começam a derreter lentamente e os dois cavalheiros dão início à conversa.
O assunto é a venda de empresas de serviços públicos a particulares. Ao que parece, o estado pode vender as suas companhias de serviços públicos sem qualquer necessidade da aprovação do cidadão. Os lucros que essas empresas teriam e que pertenceriam a todos podem passar muito facilmente para as mãos de empresários gananciosos e competitivos que farão essas empresas prosperar. Isto é óptimo para eles, sem dúvida. O problema é que o dinheiro ganho pelo governo com estas vendas, rapidamente se gasta em merdas e acaba. A partir daí, a vantagem obtida pelo estado é a ridícula percentagem de lucros que a empresa paga em impostos. Mas é óbvio que o que todos queremos é que a empresa prospere, seja em que mãos for. Um país ocidental precisa de uma economia próspera.
Desta vez, é a Companhia de Electricidade de Otarioland que é disputada por variados homens de negócios. É natural, pois este tipo de serviços são essenciais. É como vender papel higiénico (quem é que não precisa de papel higiénico?). A disputa é tanta que é necessário agendar reuniões secretas com o chefe de estado para combinar a venda a alguém em específico através de um modesto donativo.
Assim, e após uma longa conversa, o Sr. Primeiro Ministro combina uma troca que colocará o Sr. Dr. Flipont numa posição bastante vantajosa quanto à aquisição da dita em empresa. Com um brinde de Zurrapa de €150, ambos celebram um negócio em que nenhum ficará a perder. O Sr. Primeiro Ministro arrecada uns milhares de euros que serão secretamente depositados numa conta protegida pela lei do segredo bancário de Otarioland e o Sr. Flipont ganha a oportunidade de explorar os cidadãos Otarienses numa das suas necessidades mais básicas. A energia.
Ambos se despedem com um sorriso sincero e com um pensamento comum: "É tão fácil enriquecer num país de otários..."
O local era secreto. Não é do interesse do Sr. Primeiro Ministro que se saiba destes assuntos. Uma coisa é o que o país ganha com estas vendas; outra coisa bem diferente é o que ele ganha. Mais uns minutos e o Sr. Doutor, que nunca foi mesmo doutor, mas que tem dinheiro suficiente para que assim o tratem, chegaria para discutir a questão da compra.
O Sr. Primeiro Ministro acende um cigarro, reflectindo na integridade dos seus actos. O termo "corrupção" vem-lhe à cabeça, deixando algum peso no estômago e uma pequena gota de suor a escorrer levemente pela testa. Limpa-a com um lenço e pensa: "Será que não me vou foder à conta destes esquemas? Hmmm, em princípio não.. ninguém há-de dar conta. Afinal de contas, isto parece ser o futuro da humanidade.. a privatização". Num momento de reflexão, acaba por pensar que não se voltará a candidatar. A vergonha de usar 4 anos de mandato para o seu enriquecimento pessoal e o pouco que contribuiu para o bem-estar geral lembram-no de que a decisão mais justa será oferecer o lugar ao próximo. É preciso que haja equilíbrio no mundo, caso contrário a ganância perdura.
A campainha toca. O Sr. Primeiro Ministro exalta-se, e nervoso desloca-se à porta para a abrir. Hoje não há secretária que faça isso por ele. Abre a porta, e cumprimenta o Sr. Dr. de uma forma excessivamente humilde e cordial para um Primeiro Ministro.
O Sr. Dr. Flipont, de origem Francesa e descendente de uma família de negócios abastada, entra com uma postura superior à do Sr. Primeiro Ministro. Não apenas hoje, mas todos os dias, essa postura é igual. Reflecte a de um homem pequeno, com um pénis minúsculo, mas bastante adaptado nesta sociedade urbana e anti-natura. Apesar da atraente e inteligente esposa, os filhos são burros, têm os dentes tortos e um dia serão carecas. É o que acontece quando o dinheiro entra no processo evolutivo.
O Sr. Primeiro Ministro convida o Sr. Dr. Flipont a sentar-se e oferece-lhe uma bebida. Uma bela zurrapa de €150 por garrafa é despejada sem respeito em dois copos, duas pedras cúbicas e transparentes começam a derreter lentamente e os dois cavalheiros dão início à conversa.
O assunto é a venda de empresas de serviços públicos a particulares. Ao que parece, o estado pode vender as suas companhias de serviços públicos sem qualquer necessidade da aprovação do cidadão. Os lucros que essas empresas teriam e que pertenceriam a todos podem passar muito facilmente para as mãos de empresários gananciosos e competitivos que farão essas empresas prosperar. Isto é óptimo para eles, sem dúvida. O problema é que o dinheiro ganho pelo governo com estas vendas, rapidamente se gasta em merdas e acaba. A partir daí, a vantagem obtida pelo estado é a ridícula percentagem de lucros que a empresa paga em impostos. Mas é óbvio que o que todos queremos é que a empresa prospere, seja em que mãos for. Um país ocidental precisa de uma economia próspera.
Desta vez, é a Companhia de Electricidade de Otarioland que é disputada por variados homens de negócios. É natural, pois este tipo de serviços são essenciais. É como vender papel higiénico (quem é que não precisa de papel higiénico?). A disputa é tanta que é necessário agendar reuniões secretas com o chefe de estado para combinar a venda a alguém em específico através de um modesto donativo.
Assim, e após uma longa conversa, o Sr. Primeiro Ministro combina uma troca que colocará o Sr. Dr. Flipont numa posição bastante vantajosa quanto à aquisição da dita em empresa. Com um brinde de Zurrapa de €150, ambos celebram um negócio em que nenhum ficará a perder. O Sr. Primeiro Ministro arrecada uns milhares de euros que serão secretamente depositados numa conta protegida pela lei do segredo bancário de Otarioland e o Sr. Flipont ganha a oportunidade de explorar os cidadãos Otarienses numa das suas necessidades mais básicas. A energia.
Ambos se despedem com um sorriso sincero e com um pensamento comum: "É tão fácil enriquecer num país de otários..."
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Domingo ao acordar...
David: "Então curtiste o cheiro?"
Dávid's: "Hã?"
David: "Se te bateu o cheiro, pá..."
Dávid's: "Quê? Peidaste-te?"
Dávid's: "Hã?"
David: "Se te bateu o cheiro, pá..."
Dávid's: "Quê? Peidaste-te?"
quinta-feira, 7 de maio de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Cinismo, defeito ou qualidade?
Inúmeros termos e expressões circulam por aí sem muito boa gente ter conhecimento do seu real significado. Ouve-se com frequência mulheres criticando-se, falando em cinismo e em “expressão de cínica”, provavelmente referindo-se ao típico feitio feminino, por vezes provido de maldade e falsidade. Ora, isto nada tem a ver com o cinismo, que para quem não sabe e pretende ficar a saber, é uma antiga filosofia criada por um discípulo de sócrates, de seu nome Antístenes.
A base do cinismo seria a conquista da virtude moral, através do desapego aos bens externos e materiais. Eliminar-se-ia o supérfluo, o reconhecimento alheio, as preocupações com a saúde, o sofrimento, a morte.. Os cinistas acreditavam que nada externo a nós poderia trazer felicidade e que tudo o que o homem precisa para prosperar está dentro dele próprio.
Este conceito não terá sido muito bem interpretado ou compreendido pelo pensamento do homem comum e dependente de “coisas”, que acabou por deturpar o seu significado. Nos dias de hoje é chamado cínico a uma pessoa sem qualquer conceito de pudor e indiferente ao sofrimento alheio (significado este que também não tem muito a ver com o contexto em que é muitas vezes utilizado)
Pensa-se que esta filosofia tem origem num comentário que Sócrates fez ao passar no mercado de Atenas: “Vejam de quantas coisas precisa o Ateniense para viver”. Uma das primeiras críticas ao materialismo registadas na história...
Assim, no final deste pequeno texto, considero-me e afirmo-me cínico, pois vou encontrar a minha felicidade no interior do meu coração, na expressão dos meus valores únicos e nas minhas ideias e filosofias... Nunca outros voltarão a dizer-me que preciso disto ou daquilo ou de fazer isto ou aquilo para ser feliz..
Guardem a vossa opinião p’ra limpar o vosso real cú crítico, que só serve para criticar ninharias e mediocridades...
A base do cinismo seria a conquista da virtude moral, através do desapego aos bens externos e materiais. Eliminar-se-ia o supérfluo, o reconhecimento alheio, as preocupações com a saúde, o sofrimento, a morte.. Os cinistas acreditavam que nada externo a nós poderia trazer felicidade e que tudo o que o homem precisa para prosperar está dentro dele próprio.
Este conceito não terá sido muito bem interpretado ou compreendido pelo pensamento do homem comum e dependente de “coisas”, que acabou por deturpar o seu significado. Nos dias de hoje é chamado cínico a uma pessoa sem qualquer conceito de pudor e indiferente ao sofrimento alheio (significado este que também não tem muito a ver com o contexto em que é muitas vezes utilizado)
Pensa-se que esta filosofia tem origem num comentário que Sócrates fez ao passar no mercado de Atenas: “Vejam de quantas coisas precisa o Ateniense para viver”. Uma das primeiras críticas ao materialismo registadas na história...
Assim, no final deste pequeno texto, considero-me e afirmo-me cínico, pois vou encontrar a minha felicidade no interior do meu coração, na expressão dos meus valores únicos e nas minhas ideias e filosofias... Nunca outros voltarão a dizer-me que preciso disto ou daquilo ou de fazer isto ou aquilo para ser feliz..
Guardem a vossa opinião p’ra limpar o vosso real cú crítico, que só serve para criticar ninharias e mediocridades...
segunda-feira, 30 de março de 2009
Lei de Darwin
Tal como na Natureza, a lei da sobrevivência observa-se na sociedade humana: Os mais aptos prevalecem sobre os mais fracos sem quaisquer escrúpulos..
De que nos serve a inteligência, então, se continuamos a comportar-nos como animais?
De que nos serve a inteligência, então, se continuamos a comportar-nos como animais?
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